Na série Como desenvolver Portais web de mega porte, foi comentado sobre a importância das Metodologias. Na ocasião, falávamos das metodologias de desenvolvimento de projetos. Contudo, é essencial que profissionais de tecnologia conheçam outras metodologias do seu setor, como de gerenciamento holístico do projeto e até de gestão do setor de TI. Teci abaixo alguns comentários básicos sobre tais metodologias.
No desenvolvimento de portais web de mega porte, as metodologias permeiam todas as fases. Ainda no planejamento, comentamos sobre a Web Logical Chain, por sua abrangência de comunicação e marketing e também pelas boas experiências que tive com ela. Já quando chegamos à fábrica de software, surgem novas metodologias que, até então, não havíamos comentado.
O próprio conceito de fábrica já afirma que é sobre uma metodologia de montagem que se busca produzir de forma eficiente um produto. Ou seja, sem metodologia, é quase impossível se organizar e ter resultados lucrativos e ágeis.
Se a fábrica não possui uma metodologia de projetos definida, há de se definir rapidamente uma antes de começar. Não existe a melhor metodologia, mas sim a mais adequada ao projeto que se deseja executar e à equipe que nele trabalhará. Por isso, há uma pergunta básica que deve ser feita no início:
Qual é o projeto? Rápido, experimental, tradicional ou sem definição exata?
A depender do tipo de projeto, escolha a forma mais segura de se organizar. Saiba, por exemplo:
- Se o cliente é acessível ou complicado de se ter contato. Isso poderá impactar nos prazos de validação;
- Se existe gente especializada, com experiência, para realizar as validações por parte do cliente. Isso poderá impactar em tentativas de mudança de escopo ou indecisões por parte do cliente;
- Se o projeto se foca em rapidez ou em riqueza de detalhes; e
- Se tudo que ficou sob responsabilidade do cliente (ex: infra-estrutura de rede e banco de dados) já está encaminhado ou ainda será construído.
Todas essas dúvidas são decisivas para achar a mais adequada metodologia:
- a mais ágil ou seguramente engessada;
- a com mais processos de comunicação (feedback) em mão dupla;
- a com mais ou menos marcos de validação;
- a que demanda mais deslocamentos, reuniões e revisões;
Enfim, a mais adequada ao jeito que o cliente é, para que ele mesmo não atrapalhe o projeto.
METODOLOGIAS MAIS PRESENTES
Cito a seguir também três das metodologias mais recorrentes em projetos que atuei:
- Scrum: metodologia de desenvolvimento ágil que se foca em micro-equipe, sendo essas multidisciplinares. As conhecidas reuniões em pé e o feedback geral diário são marcas caricatas das metodologias ágeis, como o Scrum. Aqui, o cliente faz parte da equipe de desenvolvimento, com sua presença próxima e freqüente, para monitorar o desenvolvimento e validar os entregáveis, já que o projeto é divido em sprints. Por causa dessa divisão e de outras características, enfatiza o desenvolvimento rápido. Como essa metodologia promove a auto-organização dos desenvolvedores, incentiva também que todos os envolvidos saiam do projeto com mais autonomia e maturidade para a próxima empreitada, o que leva a equipe a uma ascendente consciência holística dos projetos;
- Extreme Programming: também conhecida como XP, é ideal para usar com aquele cliente mais confuso e com um briefing não tão seguro. Isso porque há reuniões semanais de priorização de atividades junto ao cliente, ajuste de foco do projeto e, possivelmente, alterações. Dessa forma, as atividades de maior visibilidade e importância para o cliente são logo realizadas, testadas e entregues. A rapidez, o feedback constante e o conhecimento holístico do projeto por todos os envolvidos – característica das metodologias ágeis – também estão presentes aqui. A programação em par (duas pessoas juntas em um mesmo computador) é um fator caricato do XP, que busca com isso ter a revisão síncrona do sistema por duas pessoas diferentes. Isso diminui o risco de erros e promove o crescimento técnico do menos experiente;
- ITL: assim como o PMBok, essa não é uma metodologia de desenvolvimento, mas sim boas práticas sugeridas para se seguir. Cito-a aqui pela relevância que possui na gestão de setores de manutenção. Enquanto a equipe desenvolve de um lado, o que já está rodando não pode atrapalhar. Para isso, o ITIL promove um conjunto de comportamentos e procedimentos para organização de setores. São características relevantes do ITIL a compreensão da necessidade das pessoas (cliente e fornecedor) e a aplicação dos processos com essa consciência, não apenas se cegando à tecnologia. É um fator caricato dessa prática o uso freqüente de checklist e o estabelecimento dos papéis e funções de cada envolvido;
- PMBok: assim como o ITIL, essa não é uma metodologia de desenvolvimento, mas sim boas práticas sugeridas para se seguir. É uma das mais complexas (em questão de detalhes) para a gestão de projetos. É caricato o grande número de documentos, planos, assinaturas e acordos realizados antes de cada passo do projeto. Como qualquer boa prática de gestão de projetos, preocupa-se com as variáveis de controle como um todo (custo, tempo, qualidade e escopo). Isso explica porque o PMBok é tão abrangente no projeto. Regido pelo gerente de projetos, essas práticas promovem a gestão de integração, escopo, tempo, custo, qualidade, recursos humanos, comunicações, riscos e aquisições.
Com uma boa documentação do projeto, basta estabelecer a melhor metodologia de desenvolvimento e de gestão do projeto. E para manter o bom trabalho desenvolvido, em paralelo, vale a pena se atentar para a gerência do setor de TI.
Caso não se identifique com nenhuma dessas metodologias, conheça outras e aprofunde na que mais interessar. Existem inúmeras metodologias muito boas em uso. Muitos gestores e desenvolvedores inclusive tomam como base uma metodologia conhecida e formulam a sua. O importante é estudar uma a uma até encontrar aquela que mais se adéqua não apenas ao projeto, mas também com a equipe com a qual trabalhará.
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