Quando os mercados se abrem à concorrência, é bem provável que o consumidor seja o maior beneficiado. Um negócio sem concorrência corre o sério risco de parar no tempo e viver da mesmice pelo período que der lucro. A concorrência, quando saudável, faz fervilhar inovações no mercado e avanços em todas as áreas paralelas. Vimos exemplos como as inovações dos automóveis nas últimas décadas, a corrida espacial EUA x URSS na segunda metado do século XX, os saltos tecnológicos de computadores desde a década de 80, dentre vários outros. A concorrência saudável não apenas deixa o mercado mais curioso, bom para analisar e rico de opções, mas sobretudo com investimentos em inovações, criatividade para se diferenciar e boas jogadas de negócios. Nesse contexto, não há como não nos lembrarmos das várias jogadas entre empresas de Internet. A maior que compra as menores, as segmentadas que trazem inovação, as mais antigas buscando se reerguerem e as que estão no topo sem querer perder a majestade… O principal exemplo hoje no contexto de Internet é sem dúvidas o Facebook, que corre atrás (ou, às vezes, na frente) dos últimos lançamentos de seus concorrentes, sabe que seu mercado é muito modista e volúvel para inovações e busca acompanhar não apenas a dinâmica e os estudos de seus concorrentes, mas o próprio comportamento do seu usuário.
QUANDO A CONCORRÊNCIA MOVIMENTA A MENTE DO MERCADO
A mente do mercado é a percepção que consumidores e empresas tem de produtos, marcas e dinâmicas de negócios. Muitas vezes, inovar não necessariamente é buscar criar algo novo que seja um sucesso, mas sim simplesmente dar uma resposta diante de uma intempérie para dizer que não se está morto. Com tais respostas, por exemplo, é maior a probabilidade de ganhar mídia espontânea e, consequentemente, reforçar a percepção do público de que não se está morto. Obviamente, nenhuma empresa vai gastar dinheiro com novos projetos apenas para dar uma simples resposta. Claro que focam também em tal inovação ser um sucesso. Mas muitas vezes se sabe que a necessidade da resposta é mais importante que a necessidade de melhoria do produto naquele momento ou de uma nova jogada de negócio. Mas o que poderia fazer o Facebook, por exemplo, ao ver o Google+ lançar sua rede social com o frisson do Hangout, além do chat em vídeo do GTalk e o sucesso do BBM (Blackberry Messenger) em UK? As respostas com o Skype e com o novo app de instant messenger mobile no Reino Unido (Facebook Messenger) foram rápidas, apesar de o mercado de videochamadas em sites de redes sociais ainda necessitar de melhorias principalmente de crossbrowser. Já no caso do Orkut, talvez seja o principal exemplo, junto com o MySpace, de quem demorou a se adaptar e a analisar o efeito midiático de seus concorrentes e perdeu espaço na mente do mercado, ocasionando a imagem de que estava ruim – ou simplesmente deixando espaço para que os usuários experimentassem outras opções e pudessem gostar da concorrência.
O FACEBOOK E A CORRIDA PELA MENTE DO MERCADO
Recentemente, o Facebook soltou mais dois lançamentos para não dar margem à substituição: a criação de listas inteligentes de amigos e o botão subscribe. Notoriamente batendo forte no Google+ e agora no Twitter, o Facebook traz um perfil de mercado ousado, que passeia em uma linha ética tênue sobre plágio, mas que – ninguém pode negar – faz um trabalho de inteligência de mercado que lhe dá grande vantagem.
Com a lista inteligente de amigos, o Facebook busca facilitar o uso de suas novas políticas de privacidade. É algo que não surgiu do nada apenas para bater na concorrência, veio integrado com outras ideias. Dessa forma, com a lista de amigos, será possível publicar conteúdo para grupos específicos, como ocorre com o Google+. Já com o botão subscribe, a nova política de privacidade também é lembrada, pois resguarda o usuário de ser amigo de alguém para acompanhar suas publicações; porém bate no Twitter por ser esta a principal característica desse site. Com o botão subscribe, o Facebook reforça a possibilidade de ser também uma forte rede informacional, e não apenas conversacional.
O Facebook, diferentemente de outros sites de redes sociais passados ou até atuais, parece se posicionar não como um mero site de destino conclusivo, mas sim como uma plataforma de Internet que busca agregar diversos recursos tais quais necessitem seus usuários para navegar. Vem daí sua visão aglutinadora.
O fato é que o Facebook possui esse perfil mutável no mercado e com forte tendência megalomaníaca, diferente do Twitter, do LinkedIn ou do Foursquare, por exemplo, que possuem dinâmicas específicas com seu foco anunciado pelos próprios donos. Para essas empresas, por enquanto, agregar novas dinâmicas (como integração com imagens) é uma necessidade básica que não fere seu foco. Por isso, é possível inovar nesse ponto. Mas, por exemplo, chats com videochamada já não se encaixariam – talvez registros com vídeos sim (ex: posts ou depoimentos em vídeos), sobretudo para o Foursquare. Mas daí surgiria a necessidade de um repositório parceiro ou próprio para tais vídeos. Contudo, para essas ideias, como faz o Twitter, às vezes é melhor mesmo deixa a cargo de empresas como Twitcam, a depender do seu perfil no mercado. No caso do Facebook e seu recente anúncio sobre o lançamento de um serviço de música digital, em parceria com Spotify e Mog, essa lógica parece não se aplicar a seu posicionamento.
Na lógica de mercado, inovações nem sempre visam um grande sucesso primordialmente, mas muitas vezes dar uma resposta para não deixar a tacada do concorrente lhe apagar da mente do mercado.
A concorrência definitivamente movimenta a mente do mercado. Podemos dizer inclusive que felizmente isso ocorre, pois esse receio de perder os consumidores figura como um principais fatores que estimulam as empresas a nos ouvir, pensar e inovar. Nós precisamos desses avanços, as empresas precisam de nós, e assim acontece o show dos negócios.
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[...] recentemente no meu blog um artigo chamado ‘Facebook, Google+, Twitter e a lógica de mercado e concorrência‘. Nele, comento sobre as últimas inovações do Facebook, mas principalmente sobre o que [...]
Muito boa, excelente materia. Parabens……………
Impressionante a análise dessas redes, com foco na satisfação usual do consumidor. E na habilidade ou não que as redes tem de se adequar ao consumidor. Obrigada, Gabriel. Ótima matéria!
Oi, Ticiana. Obrigado pela leitura. Realmente esses sites de rede social, pelo tamanho que alcançaram, o número de investidores que agregam e as expectativas de sucesso que criam, entram em uma pressão constante para serem sempre as melhores. E para serem sempre as melhores, precisam agradar o consumidor sempre, por elas serem empresas cujo objeto de trabalho é justamente a interação e socialização das pessoas. É um trabalho complexo de inteligência de mercado, estudo sobre comportamento do consumidor e produção. O falso pensamento que trabalha com Internet era apenas serviço de informática já embora faz tempo. A prova disso atualmente é todo esse mundo que gerou meu artigo acima. Realidade bem interessante mesmo de analisar. Grande abraço.