Para quem mora no Ceará ou possui pessoas queridas no Estado, sobretudo em Fortaleza, talvez tenha sido levado à aflição não só com a situação delicada pela qual a segurança pública passou, mas também por tudo que foi divulgado nas diversas mídias disponíveis. Nos sites de redes sociais, esse foi um tema que excitou bastante alguns usuários, pela oportunidade de se tornarem hubs de informação, ganharem visibilidade ou alcançarem popularidade, para além de um serviço de cidadania e utilidade pública que seria o de dar amplitude a fatos verídicos e não o de acabar meramente inflamando a sensação de insegurança e caos na cidade. A consequência disso é uma avalanche de desinformações na internet e amplificação de um clima de caos e desordem generalizada, gerando pânico. Veja a seguir a opinião de diversos professores e especialistas sobre os fatos ocorridos em Fortaleza, as greves na segurança pública nesse início de janeiro de 2012 e as consequências da histeria causada.
A matéria publicada no jornal Diário do Nordeste teve participação dos seguintes professores e especialistas:
- Álvaro Rebouças – Psicólogo e professor da Unifor (Universidade de Fortaleza);
- Irlys Barreira – Socióloga e professora da UFC (Universidade Federal do Ceará);
- Leonardo Sá – Professor da UFC (Universidade Federal do Ceará) e pesquisador do LEV (Laboratório de Estudos da Violência);
- Glaucíria Mota – Coordenadora do LABVIDA (Laboratório de Direitos Humanos e Cidadania) da UECE (Universidade Estadual do Ceará);
- Rodrigo Pimentel – Comentarista de segurança da Rede Globo e ex-capitão da PM-RJ;
- Sandra Helena Souza – Professora de Filosofia e Ética da Unifor (Universidade de Fortaleza);
- W. Gabriel de Oliveira – Professor da Unifor (Universidade de Fortaleza) especializado em Tecnologias Digitais.
Veja também outros textos:
- Oportunismo e inércia (Erick Picanço)
- Um dia para se pensar: “Comunicação da violência ou violência da Comunicação?” (Agência da Boa Notícia)
- Rodrigo Pimentel: ‘Rede social usada contra o crime pode gerar pânico’ (matéria de 22/08/2011)
- Vice-governador do Ceará e a prefeita de Fortaleza comentam o fim da paralisação dos policiais
- O amargo sabor da primeira derrota (dica de Alana Vaz)





Lógico que pra esse povo pró-Cid e que ainda tem segurança particular tudo não passou de “boato”. Mas pra quem teve que passar a última terça-feira fora de casa foi apenas a realidade(que eles apesar da segurança particular não se atreveram a mostrar, ao contrário, ficaram acomodados no conforto de um estúdio de tv ao invés de sair às ruas como as outras emissoras fizeram). Ou vai me dizer que os meus 30 reais ROUBADOS durante um arrastão ocorrido nas proximidades do North Shopping por volta das 3hs também foi fruto de um “boato”. Sem falar que o bonitinho que levou o meu dinheiro e o das pessoas que estavam perto ainda nos provocou dizendo que era para nós chamarmos o Ronda que ele estaria esperando. VERGONHA DESSE FALSO JORNALISMO COMPRADO SÓ PRA PASSAR A MÃO NA CABEÇA DESSES POLÍTICOS QUE NÃO FAZEM NADA PELA POPULAÇÃO E AINDA OFENDE QUEM É CIDADÃO DE BEM!!! VERGONHA!
Olá, Alana Vaz,
Compreendo sua colocação, principalmente porque eu também passei o dia fora de casa. Nessa mesma terça-feira, tive o itinerário que foi do Benfica ao Edson Queiroz. Depois do Edson Queiroz à Parangaba e, por fim, ao Conjunto Ceará, quando retornei posteriormente ao bairro José Bonifácio e lá fiquei. Senti o medo existente em todos os locais e vi inclusive o exército revistando homens na parede e uma tentativa de assalto na parada de ônibus do Iguatemi. O clima de tensão era presente, certamente. Até então, não há mídia que possa ocultar tais fatos. Assaltos verídicos ou arrastões, como os que ocorrem com greve ou sem greve na Eng. Santana Jr. com Antônio Sales, obviamente deve ser noticiados, até para informar à população e chamar a atenção das autoridades.
O que não podemos deixar que ocorra são grupos que aproveitam esse clima já tenso e inflamam ainda mais o medo na população, com histórias não verídicas ou exageros propositais. Nós podemos estar servindo de massa de manobra para esses grupos, que tem prazer ou até intenção criminosa de ver o circo pegar fogo ainda mais, para além do que já estava, como você mesmo viu.
Sei que, às vezes, nós mesmos exageramos até sem nos percebermos, tamanha é a aflição que estamos naquele momento. Normal perceber esse comportamento. O que complica realmente não são as pessoas vítimas de tudo isso, mas sim os grupos que se valem de canais midiáticos livres, como a internet, para infiltrarem histórias não veríficas, e não aqueles que ocorreram de verdade. Noticiar assaltos e algum arrastão que realmente existiu é uma obrigação em prol da segurança pública, mas difundir que cerca de 10 grandes supermercados foram invadidos, 5 bancos só na Gomes de Matos foram assaltados e mais arrastões quase em cada bairro da cidade ocorreram, isso não. Com esses fatos não verídicos espalhados aos montes na cidade, fatos que realmente ocorreram, como o assalto que você sofreu em frente ao North Shopping, se perdem, o que não deveria ocorrer. Todos nós somos prejudicados pelos boatos, porque esmaga os fatos que realmente ocorreram, como o assalto que você sofreu. Ou seja, as vítimas reais, como você, sofrem mais ainda por causa dos fatos irreais, porque passam a ser tratados apenas como mais um caso de violência e se banaliza. O pior é que tais boatos ou exageros são espalhados por grupos com o objetivo de se tornar centro das atenções ou simplesmente ver o circo pegar fogo mais ainda, seja pelo prazer irresponsável que isso ocorra, seja por interesses criminosos.
Sabemos que diversos casos de violência aconteceram na cidade e que realmente era mais seguro permanecermos temporariamente resguardados. Eu vi isso ocorrer, e você o sofreu na pele. Contudo, não devemos deixar que nos usem como massa de manobra, fazendo-nos acreditar mais em fatos que não ocorreram do que naqueles que realmente existiram, incentivando que divulguemos ainda mais esse clima de caos e, assim, nos tranquemos onde pudermos com medo do mundo. Esse clima exagerado, ao invés de criar em nós uma atenção sobre os fatos reais e uma preocupação sobre o caso dos policiais e a política do governador, causa na verdade uma paranoia geral na população. Começamos a suspeitar do nosso vizinho, do homem que passa na rua e até de um barulho qualquer na rua. Isso é grave e prejudica qualquer ação construtiva, como a de compreender os reais motivos de todo esse cenário.
Por isso, afirmo que devemos saber o que ouvir e como ler, para não cairmos no erro de sermos apenas reprodutores de histórias sem sequer sabermos seguramente se é verdade, e, com isso, casos reais como o seu assalto não sejam abafados pelos excesso e possam ganhar a atenção necessária.
Concordo com tudo o que você disse. Mas generalizar a idéia de que os arrastões e assaltos que ocorreram em Fortaleza no dia 3 de Janeiro foi apenas boatos é deixar a população mais insegura e desinformada ainda. Com greve ou sem greve devemos sempre andar com cautela, mas dizer na tv(uma mídia muito mais influente que a própria internet, já que nem todos os que tem tv, tem computador) que tudo o foi veiculado foi “apenas boato” convenhamos que é até um incentivo para a pessoa que viu essa notícia no tv sair tranquilamente às ruas com o risco real de ser assaltado, ou pior, assassinado, já que no jornal ela viu que está tudo bem, mas nós sabemos que não está, e tão cedo a situação vai se normalizar. A internet divulga notícias falsas? Sim, mas pelo visto a Tv, ou melhor, as emissoras de televisão, também não vão longe disso. Pelo menos na internet sabemos quais são os meios confiáveis de se obter notícias(e as redes sociais, por ser um meio usado por qualquer um não está entre esses meios). E na tv? Que outra alternativa de informação temos em se tratando de notícias confiáveis? Praticamente nenhum quando a imprensa se preocupa mais com a imagem do Cid do que com o nosso bem e pra quem não tem tv por assinatura. É como a história do sujo falando do mal lavado só que com o agravante de tentar limpar a suja imagem do nosso governador que desfruta das suas férias na Europa enquanto a população se encontra em desamparo.
Esse artigo resume a situação vivida na última terça-feira
http://www.opovo.com.br/app/colunas/politica/2012/01/05/noticiapolitica,2368425/o-amargo-sabor-da-primeira-derrota.shtml