Já parou para pensar como o brasileiro mistura, envolve, remonta seu dia a dia sem saber sequer se pode ou se conseguiria fazer aquilo? O espelho desse caráter se traduz na música, nos sons que nosso Brasil ecoa em cada esquina desse país. Esse som surge ora sem padrões, ora sem escola formal, ou até como catedrático, mas sem perder ainda o elemento criativo que é nativo da nossa gente. Esse é um papo informal sobre a minha percepção acerca de uma mistura intrigante de sons que me chegaram nas mídias sociais.

Sons do Brasil na Timeline do Facebook
Pelo Facebook me passam quase como letreiros piscantes numa avenida diversos sentimentos, momentos de vida, polêmicas, fatos reais ou não e gostos. Mas as músicas, sejam as mais diversas, chegam-me não só como traduções do estado de espírito um amigo, mas também como compartilhamento de um mundo ainda mais amplo, que é a cultura de uma gente. O Brasil é assim espelhado diversas vezes pelos sons que ele mesmo distribui. E a internet nunca entendeu tanto esse caráter misturado tupiniquim, inclusive por ser ela mesma o retrato de uma mistura de povos.
Quando me chegam sons do Brasil, que diversidade há. Vejamos esse som ousado do grupo chamado Os Amadores. O próprio nome do grupo já sugere coçar a cabeça, pela quebra de um paradigma esquizofrênico que muitas vezes a música nos coloca. Então observemos um pouco mais além. Para isso, há de se ir para além do som, no composto de imagem, som e corpo presente ali. Assim também é o povo brasileiro: um composto que resulta em algo ora engraçado, ora tímido, ora malandro, ora responsável, mas sempre criativo.
O mashup cultural do som Funkrock é antropologicamente rico e com personalidade caricata da criatividade misturada que é o Brasil. É isso mesmo, desde os recursos visuais de cenário e roupa até as alterações de giros de salão, saltos de samba e street dance, há a mistura. Chega até mesmo à própria mistura sonora, que se vê a partir de um só elemento da cadeia harmônica levada pelo riff de guitarra e transformada em batuque elétrico, à lá funk carioca. Mas vamos lá, sem juízo de valor sobre gosto, conceitos frágeis e por ora pueris de bom ou ruim. A apropriação foi feita e é legítima. Afinal, ”o rock tem que tá” e o autor, dentro do conceito do seu grupo e de seu objetivo inventivo, afirma: “eu fiz com que o rock and roll ficasse interessante, peguei essa guitarra e misturei junto com o funk”.
Criaram, então, um encadeamento sonoro com respeito ao caráter do outro estilo de música, como algumas outras bandas também já fizeram. Mas o brasileiro é diferente: transforma em samba, forró, axé, violada sertaneja e até em vaneirão gaúcho, meus caros! E em qual outro lugar do mundo somos tão iconoclastas, mas sem nem sabermos o que isso significa de verdade e sem qualquer puxa-saco político? E se falarmos mais sobre mistura, nosso Djavan não fica de fora: a imagem do próprio músico espelha a diversidade das nossas cores, caras e vozes. Já sobre a música, quem viu a bela sonoridade mesclada de jazz, batuque e swing brasileiros com a voz indefectível desse alagoano? Somos isso, esse batuque, esse jazz alegre, mas também os riffs chorosos, que podem ser de guitarra ou até bandolim e cavaquinho, mas sempre tipicamente nacionais.
Não foi só o funk dos meninos no vídeo ou o som de Djavan que me eclodiram. O que vi – e vejo dia a dia surgir desde as esquinas das favelas até as garages classe AB – é a mais autêntica demonstração da mistura de povo, raça e histórias humanas, de forma criativa, que nosso Brasil faz com tudo, em todas as áreas. Isso é nosso, cada um com seu gosto, cada qual com seu símbolo e sua identidade, mas, mesmo assim, continua sendo nosso! E misturado.
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Agradecimento a Jair D’angelo e Vitor Cavalcante pela apropriação que me permitiram.





Falou tudo, Gabriel.
Precisando de mais apropriações, estamos ai. hehe :)
Show de bola Gabriel!
Brasil é isso, caldeirão cultural!
É super interessante como a globalização influencia nessa mistura de ritmos.
Tem uma música que fala de uma maneira muito legal sobre essa globalização desenfreada.
Titãs – “Disneylandia”
Vale a pena conferir!